O Japão deu um novo passo para preparar regiões capazes de assumir funções de Tóquio em uma emergência. Em 27 de outubro de 2026, o governo aprovou critérios para a designação de “segundas capitais”. A ideia é preservar a administração do país caso um grande desastre interrompa o funcionamento da capital.
O anúncio não significa que Tóquio deixará de ser a capital nem que uma substituta já foi escolhida. Trata-se de organizar uma alternativa para funções essenciais e reduzir a dependência de um único centro.
O que foi aprovado
Segundo a VietnamPlus, reproduzida pelo portal Vietnam.vn, a política busca manter a administração funcionando diante de um desastre e reduzir a concentração de recursos em Tóquio. Não foram anunciados uma localização definitiva, a lista de órgãos a transferir ou um mecanismo de financiamento da mudança.
A cobertura da Jiji Press, publicada pelo The Nation, informa que Hokkaido, Aichi, Osaka e Fukuoka atendem aos requisitos previstos. As regiões ainda precisam cumprir os procedimentos de coordenação administrativa e apresentar seus pedidos.
Não basta estar longe de Tóquio
Os critérios incluem estrutura de órgãos nacionais, dimensão da população e peso econômico. A regra citada pela Jiji exige município com pelo menos 14 escritórios de órgãos do governo central, cidade com população equivalente a ao menos 1,2% do total nacional e participação da província no produto interno bruto de pelo menos 2,1%, na média dos três anos anteriores.
Também há exigência de reorganização administrativa ou acordo de cooperação entre a cidade e o governo provincial. Em linguagem simples: a região precisa ter estrutura e capacidade de coordenação para receber responsabilidades adicionais.

Por que isso importa para quem está no Brasil
O paralelo brasileiro começa por Brasília, mas as duas experiências têm objetivos diferentes. Em 21 de abril de 1960, os Três Poderes se instalaram na nova capital, marcando a transferência do centro político do Rio de Janeiro para o interior, como registra a Câmara dos Deputados. No caso japonês, o foco atual é criar capacidade de continuidade e descentralização, sem anunciar a substituição de Tóquio.
As enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, oferecem outro ponto de comparação: a interrupção prolongada de uma estrutura importante pode afetar a circulação de pessoas e a atividade econômica. O relatório de gestão de 2024 da Anac registra que a inundação deixou o Aeroporto Salgado Filho fora de operação por quase seis meses. Os voos nacionais no aeroporto foram restabelecidos em 21 de outubro daquele ano.

O alerta é sobre continuidade
Esses casos não demonstram que o Brasil precise copiar o modelo japonês ou construir outra capital. O paralelo desta reportagem é sobre planejamento: quais serviços precisam continuar e quais alternativas estarão disponíveis se a estrutura principal parar?
Para uma empresa, a mesma pergunta pode envolver acesso aos sistemas, contato com clientes, fornecedores e local de trabalho. Uma cópia de dados ajuda, mas não resolve sozinha a falta de equipes, energia ou comunicação. É uma aplicação prática do conceito de continuidade, não um efeito econômico já medido do anúncio japonês.
Para o poder público, a questão envolve a capacidade de manter decisões e atendimento em uma emergência. Preparar estruturas alternativas tem custos; avaliar funções prioritárias, responsabilidades e resultados faz parte do debate.
O que acompanhar agora
Os próximos passos são os pedidos das regiões e as decisões sobre quais funções serão assumidas, como a cooperação será organizada e como a execução ocorrerá. Aprovar critérios é uma etapa do processo. A capacidade real de operar em uma crise dependerá da implementação.
Apuração: 28 de outubro de 2026. Fontes: VietnamPlus/Vietnam.vn, Jiji Press/The Nation, Câmara dos Deputados e Anac. As comparações com o Brasil são contextualização da reportagem; não representam anúncio de uma política brasileira equivalente.




