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A bolha da IA vai estourar? Coreia do Sul alerta para rombo de até US$ 100 bilhões

Um alerta do banco central sul-coreano expõe o risco por trás da corrida tecnológica. Entenda o cenário e por que o Brasil também deve acompanhar.

Ilustração de chip e esfera de vidro com fissura diante de Seul e da bandeira sul-coreana
A dependência de semicondutores expõe a Coreia do Sul às mudanças no investimento em IA. Ilustração conceitual.
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O entusiasmo com a inteligência artificial ganhou um alerta que ultrapassa o Vale do Silício. A Coreia do Sul calculou quanto pode deixar de exportar se as grandes empresas americanas pisarem no freio nos investimentos em IA: de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões abaixo do que era esperado para 2027.

A estimativa do Banco da Coreia foi divulgada pela Reuters nesta terça-feira, 27 de outubro. É um cenário pessimista e condicional. O levantamento não afirma que a bolha já estourou nem que essa perda vai acontecer.

O que está por trás do alerta

Na simulação entregue ao deputado Ahn Do-geol, o banco central considerou uma queda de 10% nos preços unitários dos semicondutores sul-coreanos. O choque poderia retirar aproximadamente 0,4 ponto percentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país no próximo ano.

Os chips representam cerca de metade das exportações sul-coreanas, segundo a reportagem. Por isso, uma decisão de investimento tomada nos Estados Unidos pode atravessar o Pacífico e chegar à atividade econômica de um país fornecedor.

Diagrama do cenário pessimista para exportações sul-coreanas de chips em 2027
Simulação liga uma freada nos investimentos à pressão sobre chips e exportações. Fonte: Banco da Coreia, via Reuters, 27/10/2026.

Por que uma tecnologia pode mexer com uma economia inteira?

Usar um aplicativo de inteligência artificial parece uma atividade sem peso físico. Nos bastidores, porém, há computadores, memórias, redes, refrigeração e instalações elétricas. Um data center é justamente o centro que reúne equipamentos para armazenar e processar essas informações.

Quando uma empresa decide ampliar essa estrutura, distribui encomendas por uma cadeia de fornecedores. Se revê o projeto, a mudança também percorre essa cadeia. É essa ligação entre expectativa de demanda e investimento real que torna o debate sobre uma possível bolha relevante para além das ações de tecnologia.

O teste econômico é simples de formular: a receita obtida com os serviços será suficiente para remunerar a capacidade instalada? Uma tecnologia pode ser útil e continuar crescendo enquanto determinados projetos enfrentam dificuldade para se pagar.

E o Brasil nessa história?

O Brasil também está tentando atrair essa infraestrutura. Em setembro, foi sancionado o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata. Conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o programa vincula incentivos para equipamentos a contrapartidas em pesquisa, atendimento ao mercado brasileiro e sustentabilidade.

Ilustração conceitual de data center em construção no Brasil e sua infraestrutura elétrica
Data centers conectam a expansão da IA a obras, equipamentos e energia. Ilustração conceitual.

Para empresas brasileiras que pretendem fornecer construção, energia, refrigeração ou serviços a esses centros, a questão prática é distinguir projeto anunciado de demanda contratada. A Gazeta já mostrou como negócios da infraestrutura participam dessa corrida.

Análise: se houver uma redução global no ritmo de expansão, projetos brasileiros que dependam desses mesmos investidores poderão enfrentar revisão de cronogramas e de encomendas. Essa é uma possibilidade econômica, não um efeito confirmado pelo estudo sul-coreano. O levantamento citado não calcula perdas para o Brasil.

O que acompanhar agora

Para avaliar se o alerta começa a se materializar, vale observar mudanças nos planos de construção, no volume de encomendas e na capacidade efetivamente utilizada. Contratos firmados e receita recorrente ajudam a separar expansão sustentada de aposta em procura futura.

O aviso da Coreia do Sul coloca uma pergunta concreta sobre a mesa: quanto da economia que está sendo construída ao redor da IA depende de que o entusiasmo continue no mesmo ritmo?

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