A corrida pela inteligência artificial (IA) está ficando cara, e os investidores querem saber quem vai pagar a conta. A preocupação pesou sobre as ações de tecnologia na quinta-feira (22).
O Nasdaq Composite, índice com forte presença de empresas de tecnologia nos Estados Unidos, caiu 2,6%. Foi sua maior baixa diária desde 5 de junho.
A Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, esteve no centro da reação. Suas ações perderam 7%. A companhia apresentou planos para criar uma nova classe de ações sem direito a voto, que poderá ajudar a financiar sua expansão.
O receio é que os gastos cresçam mais rápido do que o dinheiro trazido pelos novos serviços. Para o acionista, uma empresa pode ter uma tecnologia promissora e, ainda assim, demorar mais do que o esperado para transformar o investimento em retorno.
O que chamou atenção na Meta
A empresa prevê investimentos de US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões em 2026. Antes, o piso era de US$ 130 bilhões. A faixa inclui investimentos em instalações e equipamentos, além de pagamentos de contratos de arrendamento, uma forma de financiar o uso desses bens. O total não representa apenas gastos com IA.
No terceiro trimestre de 2026, a receita cresceu 26% em relação ao mesmo período de 2025, para US$ 64,6 bilhões. Mesmo assim, o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 2,12 bilhões. Esse indicador mostra quanto dinheiro sobra da operação depois dos investimentos e pagamentos de arrendamento incluídos no cálculo da companhia.
Caixa livre negativo não é sinônimo de prejuízo contábil. Ele mostra que, naquele período, a operação não gerou dinheiro suficiente para cobrir esses investimentos.
A Meta afirma que a IA já melhora a receita de publicidade. Também reconhece que parte das novas iniciativas levará mais tempo para trazer retorno do que seu negócio principal.

Por que a preocupação se espalhou
Uma ferramenta de IA depende de equipamentos, energia, refrigeração e instalações para funcionar. Os chamados centros de dados reúnem os computadores que processam essas tarefas. Construí-los exige dinheiro antes de toda a capacidade começar a gerar receita.
Quando uma empresa busca empréstimos para bancar a expansão, assume juros e compromissos de pagamento. Se emite novas ações para captar recursos, pode reduzir a participação proporcional de quem já é acionista. Criar uma classe de ações, porém, não significa que toda essa captação já ocorreu.
A queda alcançou fabricantes de chips e empresas de infraestrutura. A Nvidia, fabricante de chips usados em IA, recuou cerca de 4%. O índice de semicondutores da Filadélfia, que reúne ações do setor, perdeu 6,7%.

Isso significa que a aposta na IA acabou?
Um pregão de perdas não basta para chegar a essa conclusão. A reação mostra uma cobrança maior sobre os custos, as fontes de financiamento e o prazo de retorno dos projetos.
Para acompanhar os próximos balanços, vale observar quanto dinheiro as empresas geram, quanto investem e como financiam a diferença. A procura por IA importa, mas a capacidade de transformar essa procura em um negócio rentável também.
Os percentuais de Bolsa apresentados nesta reportagem são do fechamento de 22 de outubro de 2026. Não representam o resultado do pregão de sexta-feira (23).




